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O Budismo

O Budismo
(Gilmar José de Souza, 2008)


Hoje acordei com a vontade de escrever sobre o Budismo, pressupunha uma enorme quantidade de tempo e solidão para uma transformação que acontecia gradualmente ao longo de anos. Hoje, nós sempre queremos tudo de forma instantânea “prá ontem”. Diria que hoje há tambem a espiritualidade instantânea, aquela que faz o milagre, cura, conquista de bens materiais e o algo inexplicáveis.
Resultados rápidos, somos todos muito pragmáticos, e no Budismo se diz que precisávamos tirar o ‘eu’ do centro de nosso universo. Sabe aquele ‘eu’ que nos faz acordar às três da manhã, ‘por que isso acontece comigo? Por que não sou valorizado?’ Essas coisas nos arruinam? Acredito que não, pois acordo para dedicar a minha prática que é sincera e verdadeira nas minhas crenças.
Buda mostrou como viver sem ver as outras pessoas de um ponto de vista ganancioso, como gente que poderia nos levar à frente de alguma forma. Se libertados do ‘eu’, podemos ampliar nossa perspectiva, podemos nos alinhar com o universo. Buda era um radical, muito mais do que aqueles que se dizem budistas, hoje. Vou citar o Reino Unido, muitos que não se interessam por religião pensam no budismo como um caminho light: sem Deus, sem pecado, um pouquinho de ioga mais não precisamos ir tão longe, basta ver aqui mesmo em nossa cidade o quanto tem “socialights” que dizem serem Zens e praticam o “espirito de Buda”, como se Buda tivesse espirito, não é!
Não encontramos entre as escolas budistas o tipo de inimizade que protestantes e católicos mostraram uns pelos outros, mais quero dizer aqui que não são todos. Hoje, há o início de algo que podemos chamar de fundamentalismo budista, que me deixa triste, mas jamais houve inquisição, perseguição, Cruzadas, matança em nome de Deus. Buda de vez em quando fala dos antigos deuses da Índia sem rancor; os profetas bíblicos só citavam os antigos deuses com fúria. Eu não diria que intolerância está na raiz das religiões ocidentais, Judaísmo, Cristianismo e Islã. Mas intolerância nasce delas. É como se fosse uma tentação à qual os monoteístas se entregam de vez em quando. Quando você tem um deus personalizado, é muito tentador usar a religião para apoiar seus preconceitos. Religiões monoteístas são assim. Em toda geração há gente que caia nessa e há quem resista mais tem o seu contrario como já conheci e conheço pessoas cristãs que praticam o Budismo em suas vidas de forma pura mais não deixando a sua própria crença e religião.
O Budismo, diria que hoje sou feliz, pois serei hoje e em todos próximas vidas um Budista do nascimento ao renascimento!


Por Gilmar Souza

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