A América perde sua voz, ou melhor, o universo perde uma de suas maiores vozes a voz do povo a voz do coração latino. Neste último domingo(04/10/2009) morreu na argentina a voz da América Latina, Mercedes Sosa a “La negra” ao seus 74 anos de idade, a cantora sem divisas de fronteiras.
Sua morte me faz relembrar de suas letras que foram verdadeiros hinos de liberdade ao povo que morreu por paz por respeito. Mercedes hoje em minhas meditações peço ao seu “Corazón libre” mais paz e que seu exemplo seja visto, ouvido e acima de tudo feito por todos.
Com duetos inesquecíveis ao lado de Dante Ramon Ledesma, Victor Heredia, Milton Nascimento, Fagner e entre outros, Mercedes Sosa cantou ao mundo a saudade, o amor, a solidão, a luta por um mundo sem fronteiras e chorou muitas vezes com as Mães da Praça de Maio que perderam seus filhos para ditadura daquele país, bem como foi ativista nessa praça e em outras praças do mundo de todos os movimentos de esquerda, fossem eles argentinos ou não. A grande “La Negra” a mulher sem fronteiras e sem medo de dizer a verdade.
Como La Cigarra, penso que Sosa viveu a sua vida e apesar de tudo continuou a cantar ao sol “Gracias doy a la desgracia y a la mano con puñal, porque me mató tan mal,y seguí cantando. Cantando al sol, como la cigarra, después de un año bajo la tierra, igual que sobreviviente que vuelve de la guerra. Tantas veces me borraron, tantas desaparecí, a mi propio entierro fui, solo y llorando. Hice un nudo del pañuelo, pero me olvidé después que no era la única vez y seguí cantando”.
Quando dizia em sua letra que esperava que a morte não a encontrasse vazia e sem ter feito o suficiente, sabia que seria assim, pois Mercedes morre cheia de vida e com o feito de tudo que queria, viveu e assim fez de suas palavras lutas, de seu coração o amor pela cultura e a paz.
Os lenços vermelhos desse mundo, e imagino que somente quem é um lenço vermelho sabe ao que me refiro, aqueles que têm o nó feito, bem dito, penso que estão hoje felizes, não pela perda da grande voz, mas pelos contrários de “La Negra” fez da injustiça apenas uma passagem que podemos acabar seja ela de qualquer natureza.
Escrever sobre Haydée Mercedes Sosa é muito difícil, o melhor mesmo é escutar suas canções e compreender que em cada verso há uma luta, nem sempre vitoriosa, mas persistente pela igualdade do ser humano nas suas condições mais básicas como viver livre, trabalhar e comer.
"Gracias a la vida, gracias a la vida!" por termos conhecido “ La Negra” em vida e ter por um pequeno momento dividir o mesmo espaço com a sua voz, com o seu coração e sua luta.
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