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E a paz onde fica?


Eu acordei com a sensação de que não havia o dia.
Levantei-me e me assustei com o pó sobre mim.
Tudo corrompido se desfazia ao tocar.
Um vento tão gelado trazia o cheiro da destruição.
E havia sangue em mim
[...]Dava para avistar luzes quando o estrondo tocava o chão.
Ouviam-se prantos, gritos, crianças perdidas, pais desesperados.
De repente vejo uma multidão vindo em minha direção.
Ouço o soar de uma sirene, era tão forte que dava para ouvir.
Nas bandas do ocidente.
Pessoas lançavam seus corpos com ímpeto ao chão.
Uma voz em minha direção me dizia para agachar.
Tropas armadas, carros-tanque, bombas, gatilhos na mira de nossas vidas
Ouço murmúrios, orações, clamores.
Estarrecido com aquela situação.
Foge-me do senso comum saber o que estou vivendo, seria sonho?
Homens e até meninos marchavam munidos belicamente de todo o ódio
Sem dó e piedade avançavam.
Com as mãos sobre a cabeça ousei levantar a visão ao que acontecia ao meu redor
Triste cena, lastimável e sem sentido o furor daqueles homens.
Muros eram estraçalhados vidros estilhaçados caiam sobre nós.
E eles continuavam a se aproximar, conseguia sentir aqueles passos marchados.
Medo. E como eu senti.
Olhei para o céu e vi aviões lançar mísseis.
Era o fim, pensei, mas uma explosão perto de mim aconteceu.
E vi meu corpo ser lançado a alguns metros
Tudo se apagou e não vi mais nada naquele inicio de noite.
Eu acordei com a sensação de que não havia o dia
Levantei-me e me assustei com o pó sobre mim.
Tudo corrompido se desfazia ao tocar um vento tão gelado trazia o cheiro da destruição.
E havia sangue em mim. Percebi que estava vivo
Mas quem eu era?
Um turista, um estudante, um palestino, um israelita,
um americano, um europeu, um asiático?
Um cristão, um islâmico, um budista, um ateu?
Eu era um indefeso, um inocente que estava andando numa rua desolada, saltando corpos entremeio a concreto e destruição.
Via-se a decadência decadente de se viver na guerra quanto vale uma vida?
Poderosas nações ditam os seus valores pagos com sangue de inocentes
Uma dívida que se é paga tirando a vida de crianças, de pais e idosos, que é capaz de denegrir o seu estado moral, a sua expectativa de viver.
Destroem cidades, culturas, destroem sonhos.
E a paz onde fica?
Por enquanto na letra de uma canção utópica de um ex beatle, nos discursos, nos movimentos de marcha rumo a ela, na doutrina de alguma religião, nos dicionários, na mente de quem a sonha dia e noite.
A paz nada mais é do que uma junção de três palavras que traz sua definição teórica,

Porque quando se for colocar em prática ela deixa de existir.




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