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EU SOU DO CAMPO

Lembro-me do jeito simples
Do falar caipira
Dos hábitos rupestres
Do ar campestre...

No lombo do cavalo
A cavalgar pelo campo
No suor do trabalho de suas mãos calejadas
Pinga gotas na terra desbravada
Que ora oferece o pão,
E em algumas épocas é a seca que toma o sertão

Eu nasci nesse chão
Como peão a tocar o gado
Brincava com o berrante
Com o meu pai do meu lado

Já logo quando o sol nascia
Eu pulava da cama
Colocava meu chapéu
E a botina nos pés cingia




Quantas vezes me despedia daquele pôr-do-sol
Que tão lindo coloria de laranja as águas do riacho
Que passava ao fundo da minha fazenda
E quando a noite chegava brincava de contar estrelas
Que no céu da fazenda, aparecem numerosas com o luar

Eu hoje cresci, e os negócio do campo eu assumi
Troquei minhas roupas simples e sujas de barro
Por terno e gravata
Hoje chamo a minha capanga de pasta
E são sapatos que cingem os meus pés
As ruas de terra que corria, hoje são ruas de asfalto
E no horizonte eu vejo o sol entremeio a arranha-céus.

Sinto saudade da minha vida faceira, do meu sotaque carregado
Das comidas que eu só sei que existem lá, naquele velho fogão à lenha
Saudades...

Mas não deixei de ser peão
Quando eu volto pra casa
A minha mãe espera no portão
E eu volto a ser simples, falo “caipira”,
Retomo meus hábitos rupestres, respiro o ar do campo
E volto a ser peão.

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